Saturday, December 09, 2006

Greta Garbo (atriz sueca, 1905 - 1990)
Nunca fiquei só, mas sempre estive só. Durante todo o caminho de volta para casa essa frase pairou em meus pensamentos. A existência humana é marcada pela solidão e somente poucas pessoas conseguem admitir isso. A grande maioria cerca-se de amigos, filhos, carreira, riquezas e artefatos que tornem essa passagem por aqui um pouco mais suportável.
Ouvi de uma pessoa próxima, que estava conversando sobre mim com uma terceira, o seguinte comentário: - Ele usa toda a inteligência que possui para afastar as pessoas que tentam se aproximar dele.
Fiquei pensando até que ponto isso poderia ser verdade. Talvez eu tenha me tornado alguém cada vez menos tolerante. 24 anos e arrastando alguma bagagem (fruto de minha vivência), foram suficientes para me transformar (ou fui transformado?) em alguém que não consegue mais fazer concessões, acredita em poucas coisas (ou seria em quase nada?) e que a cada dia perde um pouco da fé na humanidade.
Como Garbo esclareceu em sua biografia: Eu nunca disse "Eu quero ficar só" (I want to be alone), mas sim: “Eu quero ser deixada só” (I want to be left alone). Faço minhas estas palavras.