Tuesday, January 09, 2007

Emmanuelle Seigner and Peter Coyote - Lua de Fel (Bitter Moon, 1992)
E ele descobriu que jamais alcançaria tais extremos de paixão com outro alguém...

Essa talvez seja uma frase que possa definir os sentimentos que permeiam “Lua de Fel”. O que une duas pessoas quando o amor acaba? E se esse amor for marcado por dor, desejo, paixão e decepção?
Acredito que certas dores nunca podem ser apagadas e nem sequer amenizadas. Qual seria a profundidade do ferimento que um diálogo como esse que transcreverei causaria em alguém?
Oscar: - Vamos parar de enganar a nós mesmos, Mimi.
Mimi: - Não o entendo.
Oscar: - Foi doce enquanto durou. Foi bem doce...mas está ficando azedo, não? Não está? Esperava que você tomasse a iniciativa, mas parece feliz de deixar que as coisas se arrastem assim. Aviltar você, porém, me avilta. Estamos aviltando um ao outro. Preservemos uma bela recordação. Vamos nos separar enquanto nos resta dignidade.
Mimi: - Mas eu amo você. Só quero você. Quero me casar com você. Quero lhe dar filhos. Dar-lhe o resto da minha vida!
Oscar: - Quero a minha própria, não o resto da sua. Ponha isso na cabeça!
Mimi: - O que fiz de errado? Alguma vez eu lhe fiz algum mal? Oscar, diga-me! Até a um criminoso se diz qual o seu crime. O que eu fiz?
Oscar: - Você não fez nada. Você existe, só isso.

Seria impossível dissecar os inteligentes e articulados diálogos de “Lua de Fel” em um mero texto. Todo ser humano guarda em si traços de perversão. Todos parecem puros à luz do dia, mas quando a noite cai, tudo muda. Vestem-se as personas de outros, vivem-se vidas alheias, imaginárias. Creio que o enjôo causado pelo filme em alguns expectadores aumente na medida em que o espelho vá sendo virado até posicionar-se exatamente em frente ao espectador. Dói ver a si mesmo, despido daquilo que se pretende esconder em um fundo de armário.

2 Comments:

Blogger Eduardo Vasconcelos said...

Caro anônimo, espero que goste do meu novo post. Agradeço sua visita, mas não posso dizer o mesmo de suas doces palavras. Quem sabe quando você possuir caráter suficiente para assumir sua identidade, possamos dialogar. Enquanto isso, terei o cuidado de moderar seus comentários. Grande abraço e até o próximo post.

8:09 PM  
Blogger Eduardo Vasconcelos said...

Caro anônimo, realmente é perceptível seu sentimento por mim, afinal, qual a graça em machucar quem lhe é indiferente? De qualquer modo, tente olhar-se no espelho, despir-se da imagem que você repassa aos outros e olhar a si mesmo, despido de suas mentiras. Talvez te faça algum bem. A pior culpa é nunca admitir o delito e repassar as frustrações disso aos outros. Abraços e melhoras!

6:03 AM  

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