Friday, July 27, 2007

Paris, Je T'Aime (Paris, Je T'Aime, 2006)

"Thomas ouça. Ouça. Há momentos que a vida pede por uma mudança. Uma transição. Como as estações.Nossa primavera foi maravilhosa, mas nosso verão acabou e nos perdemos nosso outono. E agora de repente, esta tão frio, tão frio que tudo esta congelando. Nosso amor dormiu, e a neve nos pegou de surpresa. Mas se você dorme na neve, você não sente a morte se aproximando. Se cuide".
Não há como permanecer intocável após as palavras pronunciadas pela personagem de Natalie Portman ao seu namorado cego, vivido por Melchior Beslon, no segmento "Faubourg Saint-Denis”. Nem as demais palavras, imagens, sons, murmúrios, dores e amores passados nos 18 bairros de Paris e que deram origem aos 18 curtas que compõe Paris Je T’Aime.
O Belo passeio inclui desde "Montmartre” até o “14ème arrondissement”, pautado em ótimos diálogos, atuações de peso, como Gena Rowlands, Ben Gazzara, Natalie Portman, Gerard Depardieu, Steve Buscemi, Juliette Binoche, dentre outros, e diretores como Wes Craven, Gus Van Sant e Walter Salles e Daniela Thomas.
Como eu disse, não há como permanecer intocável, mas também não há como não amar Paris.
Uma prova disso são os segmentos abaixo e seus respectivos diretores:
1."Montmartre", de Bruno Podalydès.
2. "Quais de Seine", de Gurinder Chadha.
3. "Le Marais", de Gus Van Sant.
4. "Tuileries", de Joel e Ethan Coen.
5. "Loin du 16ème", de Walter Salles e Daniela Thomas.
6. "Porte de Choisy", de Christopher Doyle.
7. "Bastille", de Isabel Coixet.
8. "Place des Victoires", de Nobuhiro Suwa.
9. "Tour Eiffel", de Sylvain Chomet.
10. "Parc Monceau", de Alfonso Cuaron.
11. "Quartier des Enfants Rouges", de Olivier Assayas.
12. "Place des Fêtes", de Oliver Schmitz.
13. "Pigalle", de Richard LaGravenese.
14. "Quartier de la Madeleine", de Vincenzo Natali.
15. "Père-Lachaise", de Wes Craven.
16. "Faubourg Saint-Denis", de Tom Tykwer.
17. "Quartier Latin", de Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin.
18. "14ème arrondissement", de Alexander Payne.

Assista...e ame.

Thursday, July 19, 2007

Correndo com tesouras (Running with scissors, 2006)

Meses atrás enquanto passeava por uma livraria em São Paulo dei de cara com o um livro que me chamou atenção. A capa mostrava o que parecia ser um garoto encapuzado com um saco de papelão e logo abaixo do título lia-se: “Memórias de um adolescente e sua família muito louca”. E o livro em questão era “Correndo com tesouras”. Imediatamente comprei-o. Dias depois fiquei saboreando cada página que dissecava a infância de Augusten Burroughs e me apaixonando a cada capítulo. Após a leitura, fiquei ansiando o lançamento do filme em DVD. O atraso no lançamento (ocasionado sabe Deus por qual motivo) só aumentava essa ansiedade. Eis que ontem, passeando, vislumbro o mesmo em uma banca de DVDS piratas. Lutando contra minha resistência e moral (não adquiro DVDS ilegais, apesar de achar que essa acaba sendo a saída, mesmo que ilegal, para que as distribuidoras reduzam o preço de venda, tornando-os mais acessíveis), acabei comprando. Cabe ressaltar que na véspera eu havia ido a uma locadora e nada do filme chegar.
A cada cena do filme o universo de Augusten, imaginado por mim, era passado na tela. Sua relação com a mãe – uma poetisa que se torna lésbica – vivida magistralmente por Annette Bening (indicada ao globo de ouro), o psiquiatra nada ortodoxo que trata sua mãe e com quem ele vai morar, sua fria relação com o pai, seu caso com um homem mais velho e mentalmente instável (Joseph Fiennes), dentre outros. Pelo menos dois personagens roubam a cena: a excelente Jill Clayburgh, como Agnes – esposa do psiquiatra e Joseph Cross, na pele do jovem Augusten.
O ápice do filme é a cena em que eles decidem quebrar o teto da cozinha para criar uma clarabóia, embalada por Year of the cat, de Al Stewart. A trilha sonora é outro ponto favorável e que merece destaque.
Talvez meu interesse, admiração e posterior empatia pelo filme devam-se a semelhança (guardada as devidas proporções) com a minha própria infância e parte da adolescência, repleta de situações e personagens únicos.
Sem dúvida, um dos poucos grandes filmes que assisti nesse ano e que merece ser conhecido.