Monday, December 17, 2007

The Kiss (1886) by Auguste Rodin (1840-1917)


Mais um ano.
Não. Seria injusto dizer que este foi mais um ano.
Mais do que qualquer outro ano, esse foi ano em que redescobri o amor, que pude sentir na boca o gosto da felicidade, a alegria de pequenos gestos, a dimensão do dividir.
Não importa quantos possam ler o que escrevo hoje, afinal, o que escrevo é para você. Procuro palavras para descrever a sensação que percorre minhas veias, palpita meu coração e me deixa com um sorriso no rosto. A cada segundo que passa, quero mais ardentemente te ter ao meu lado, não importando os percalços que a vida possa infringir. Quero percorrer ao teu lado esses milhares de quilômetros e deixar para trás o passado. Guardar as coisas boas (e as ruins) por que passei, sabendo que a somatória delas me fez o que sou.
Quando revejo o passado, penso no quanto te procurei. Em outros corpos, em outras bocas, em noites insones, nos dias de chuva. E ao te ouvir, dizendo o que sempre esperei, senti. Senti novamente o que nem esperava mais existir dentro de mim.
Quero poder dançar com você em nossa nova casa, tropeçando em caixas entreabertas, te amar em nossa cama imaculada e poder brindar a toda essa felicidade.
Enquanto escrevo, despeço-me do que houve, das antigas lembranças de tempos idos. E reservo hoje, e sempre, meu coração para ti.
Haveria no mundo pessoas tão felizes quanto nós?
Feliz próximo ano a nós e a todos!

Thursday, September 13, 2007

The Kiss (1907-08) by Gustav Klimt (1862-1918)


Ao chegar em casa após um dia cansativo, deparei-me com esse poema dedicado a mim. Fiquei pensando em quanto o amor pode ser demonstrado de inúmeras formas. Bastam alguns segundos para fazer alguém feliz. Alguns segundos dedicados a quem se ama, nessa correria que vivemos, significam muito. Resolvi postar esse poema que recebi, escrito por E. E. Cummings (1894-1962), poeta e pintor americano, o qual acreditava ser possível transmitir a beleza de um poema através da pintura. Dessa forma, optei em unir esse belo poema a pintura "O Beijo", do austríaco Gustav Klimt.

Mas porque escrever tudo isso? Se na verdade, só consigo pensar no quanto sou feliz desde o dia em que o amor me sorriu e me chegou de braços abertos, me trazendo paz, carinho, companheirismo. Me fez esquecer das mágoas da vida, dos percalços do caminho, abrindo meu peito e fazendo meu coração disparar a cada momento. Agradeço a Deus todos os dias por ter cruzado nossos caminhos. Te amo!



Carrego você comigo...
E.E. Cummings



Carrego seu coração comigo
Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele


Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça
Eu faço por você


Não temo meu destino
Você é meu destino meu doce
Eu não quero o mundo por mais belo que seja


Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.


Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada vida
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder
E esse é o pródigo que mantém as estrelas á distancia


Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração

Friday, July 27, 2007

Paris, Je T'Aime (Paris, Je T'Aime, 2006)

"Thomas ouça. Ouça. Há momentos que a vida pede por uma mudança. Uma transição. Como as estações.Nossa primavera foi maravilhosa, mas nosso verão acabou e nos perdemos nosso outono. E agora de repente, esta tão frio, tão frio que tudo esta congelando. Nosso amor dormiu, e a neve nos pegou de surpresa. Mas se você dorme na neve, você não sente a morte se aproximando. Se cuide".
Não há como permanecer intocável após as palavras pronunciadas pela personagem de Natalie Portman ao seu namorado cego, vivido por Melchior Beslon, no segmento "Faubourg Saint-Denis”. Nem as demais palavras, imagens, sons, murmúrios, dores e amores passados nos 18 bairros de Paris e que deram origem aos 18 curtas que compõe Paris Je T’Aime.
O Belo passeio inclui desde "Montmartre” até o “14ème arrondissement”, pautado em ótimos diálogos, atuações de peso, como Gena Rowlands, Ben Gazzara, Natalie Portman, Gerard Depardieu, Steve Buscemi, Juliette Binoche, dentre outros, e diretores como Wes Craven, Gus Van Sant e Walter Salles e Daniela Thomas.
Como eu disse, não há como permanecer intocável, mas também não há como não amar Paris.
Uma prova disso são os segmentos abaixo e seus respectivos diretores:
1."Montmartre", de Bruno Podalydès.
2. "Quais de Seine", de Gurinder Chadha.
3. "Le Marais", de Gus Van Sant.
4. "Tuileries", de Joel e Ethan Coen.
5. "Loin du 16ème", de Walter Salles e Daniela Thomas.
6. "Porte de Choisy", de Christopher Doyle.
7. "Bastille", de Isabel Coixet.
8. "Place des Victoires", de Nobuhiro Suwa.
9. "Tour Eiffel", de Sylvain Chomet.
10. "Parc Monceau", de Alfonso Cuaron.
11. "Quartier des Enfants Rouges", de Olivier Assayas.
12. "Place des Fêtes", de Oliver Schmitz.
13. "Pigalle", de Richard LaGravenese.
14. "Quartier de la Madeleine", de Vincenzo Natali.
15. "Père-Lachaise", de Wes Craven.
16. "Faubourg Saint-Denis", de Tom Tykwer.
17. "Quartier Latin", de Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin.
18. "14ème arrondissement", de Alexander Payne.

Assista...e ame.

Thursday, July 19, 2007

Correndo com tesouras (Running with scissors, 2006)

Meses atrás enquanto passeava por uma livraria em São Paulo dei de cara com o um livro que me chamou atenção. A capa mostrava o que parecia ser um garoto encapuzado com um saco de papelão e logo abaixo do título lia-se: “Memórias de um adolescente e sua família muito louca”. E o livro em questão era “Correndo com tesouras”. Imediatamente comprei-o. Dias depois fiquei saboreando cada página que dissecava a infância de Augusten Burroughs e me apaixonando a cada capítulo. Após a leitura, fiquei ansiando o lançamento do filme em DVD. O atraso no lançamento (ocasionado sabe Deus por qual motivo) só aumentava essa ansiedade. Eis que ontem, passeando, vislumbro o mesmo em uma banca de DVDS piratas. Lutando contra minha resistência e moral (não adquiro DVDS ilegais, apesar de achar que essa acaba sendo a saída, mesmo que ilegal, para que as distribuidoras reduzam o preço de venda, tornando-os mais acessíveis), acabei comprando. Cabe ressaltar que na véspera eu havia ido a uma locadora e nada do filme chegar.
A cada cena do filme o universo de Augusten, imaginado por mim, era passado na tela. Sua relação com a mãe – uma poetisa que se torna lésbica – vivida magistralmente por Annette Bening (indicada ao globo de ouro), o psiquiatra nada ortodoxo que trata sua mãe e com quem ele vai morar, sua fria relação com o pai, seu caso com um homem mais velho e mentalmente instável (Joseph Fiennes), dentre outros. Pelo menos dois personagens roubam a cena: a excelente Jill Clayburgh, como Agnes – esposa do psiquiatra e Joseph Cross, na pele do jovem Augusten.
O ápice do filme é a cena em que eles decidem quebrar o teto da cozinha para criar uma clarabóia, embalada por Year of the cat, de Al Stewart. A trilha sonora é outro ponto favorável e que merece destaque.
Talvez meu interesse, admiração e posterior empatia pelo filme devam-se a semelhança (guardada as devidas proporções) com a minha própria infância e parte da adolescência, repleta de situações e personagens únicos.
Sem dúvida, um dos poucos grandes filmes que assisti nesse ano e que merece ser conhecido.

Thursday, June 28, 2007


Sally Kirkland, Paulina Porizkova and Robert Fields - Anna (Anna, 1987)


O que determina o sucesso de uma pessoa?
Anna (Sally Kirkland) é uma atriz do cinema tcheco, exilada de seu país natal e tentando estabilizar sua carreira em Manhattan. Ela acolhe Krystyna (Paulina Porizkova), uma jovem compatriota que saiu em busca da atriz que idolatrava. Enquanto Anna afunda em um mar de decepções e lembranças do seu passado de sucesso, as portas do estrelato abrem-se para Krystyna.
Quão duro pode ser observar-se no espelho e gradativamente ver sua beleza e vitalidade esvaindo-se com os dias? Ver a beleza em outros rostos e perceber que nunca a verá novamente no espelho.
O filme é repleto de cenas marcantes, além da belíssima seqüência final, compondo um retrato sobre os percalços da fama e da solidão. Apesar das luzes ofuscantes da fama e da beleza exposta a todos, existe um lado doloroso, escondido sobre as máscaras que são colocadas. Existe dor.

Tuesday, March 27, 2007


Diane Lane and Raoul Bova - Sob o sol da Toscana (Under the Tuscan Sun, 2003)
Porque a perda causa tanta dor em si? A maioria das pessoas lida com as dores de forma errada, transformando-a em raiva. A outra metade dos seres humanos, segue em busca de descobrir-se, de encontrar-se. É isso que a personagem vivida por Diane Lane faz ao ser abandonada pelo marido que a trocou por uma aluna.
Desiludida e sofrendo, ela ganha como presente de um casal de amigas uma viagem pela Itália e através dos desencontros do destino, acaba comprando uma chácara na Toscana. Em busca do seu “eu” e tentando curar suas dores, ela descobre o verdadeiro valor da amizade, do companheirismo, do amor e da própria vida.
Às vezes a felicidade está onde menos se espera, pode ser em alguma região da Itália ou pode estar passeando dentro de um shopping, esperando por você.
Em um determinando momento do filme, um dos personagens conta uma história sobre uma região dos Alpes chamada Semmering, localizada entra a Áustria e a Itália. Há muito tempo eles construíram os trilhos ligando Viena e Veneza, mesmo se existir um trem para percorrê-los.
Eles fizeram isso por saber que um dia existiria um trem. E assim é o amor. Por mais distante ou irreal que pareça, ele virá. E para isto, deixe os trilhos (e o coração) abertos, varra o passado, as dores vívidas e solte-se das amarras.
Geralmente não procuro imprimir ao texto uma linguagem pessoal, mas nada melhor do que viver e demonstrar o amor. Em descobrir que após tantos percalços e desilusões, ele estava distraído por aí, me esperando para ser vivido em sua pureza e entrega completa. Agradeço a cada dia por ele. Viva o amor!

Sunday, January 28, 2007

A Sete Palmos (Six Feet Under, 2005)
Qualquer coisa.
Qualquer um.
Qualquer lugar.
Um dia termina.