
Retrato de Jeanne Hebuterne (*) - Amedeo Modigliani (1884-1920)
"Funeral Blues”
by WH Auden
Parem todos os relógios, desliguem o telefone
Impeçam que o cão ladre com um osso gostoso
Silenciem os pianos e com rufar surdo, tragam o caixão
Que venham os pranteadores
Que os aviões circulem pranteando acima de nós,
escrevendo no céu a mensagem: "Ele está morto"
Coloquem grandes laços no pescoço branco das pombas
Que os policiais usem luvas pretas de algodão.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste.
Minha semana de trabalho e meu descanso dominical
Meu meio-dia, minha meia-noite, minha conversa, minha canção.
Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
As estrelas são indesejadas agora, apaguem todas.
Embalem a lua e desmontem o sol
Esvaziem o oceano e varram as florestas
Pois nada mais agora pode servir.
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(*) Amedeo Modigliani morreu em 1920, pouco após concluir a obra. Jeanne Hebuterne estava grávida e suicidou-se pulando de uma janela após a morte do amante.